“Vicente precisa ter representante na Câmara Legislativa”

Candidato a deputado distrital, Gilberto Camargos defende que Vicente Pires precisa de um representante próprio

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O Setor Habitacional Vicente Pires, formado pela antiga Colônia Agrícola Samambaia, Vicente Pires, Vila São José e Setor Jóquei possui a estimativa de 55 mil votos. Se somarmos os eleitores da Cana do Reino e da 26 de Setembro pode chegar aos 60 mil. A região possui uma peculiaridade que é a de jamais ter conseguido eleger alguém oriundo da luta comunitária local. Em eleições passadas, chegou perto de alcançar esse objetivo, quase elegendo Dirsomar Chaves (PSD), que não é candidato na eleição atual.
Embora os deputados distritais representem toda a população do DF, há casos de cidades como Brazlândia, Planaltina e Sobradinho que tiveram êxito nas eleições de 2014, ao direcionar seus votos para candidatos da própria região. Percebe -se claramente, através de emendas ao orçamento e da atuação política do parlamentar, prioridade em atender seu reduto eleitoral ou o local onde mora.
Na lista de candidatos em 2018 estão vários moradores da cidade, e o mais conhecido deles é Gilberto Camargos, presidente da Associação de Moradores de Vicente Pires e Região: Além de presidente da Amovipe, Gilberto é responsável pela Oscip Verde Brasil, pela Creche Estrela Guia e pelo jornal comunitário Conversa Informal.

“Por mim eu não seria candidato, mas a pedido, para não dizer por pressão, de moradores, lideranças e de ex-candidatos, aceitei o desafio e vou cumprir, para ser a diferença para todo o Distrito Federal e não uma decepção como os atuais”.

Há quanto tempo sr é líder comunitário em Vicente Pires?
Não sou líder, mas servo comunitário e estou em Vicente Pires há 25 anos e há 38 anos atuo comunitariamente no Distrito Federal, sendo 25 anos por Vicente Pires e 20 anos pelo Assentamento 26 de Setembro. Antes de Vicente Pires, morei e defendi moradias na Vila São José em Brazlândia, Expansão do Setor “O”, Itapoã, Paranoá e Sol Nascente.

Qual o maior desafio que a comunidade enfrentam atualmente em Vicente Pires?
Em todo governo que não prioriza o povo, temos dificuldades e muito trabalho. Nesse atual a nossa maior luta, que toma quase todo o nosso tempo, é a preocupação com a causa maior da população, que é a regularização de nossos lotes por um preço justo. Estamos nos preparando para combater o valor abusivo que a União pode vir a nos cobrar, porque no Condomínio Vivendas Lago Azul (região de Sobradinho), todos estão assustados com o preço estipulado, de R$ 304 mil por lote de 800 metros quadrados.

Se eleito, o que o sr pretende fazer em relação ao valor que estiver acima do mercado?
Vou defender que se aplique o desconto das benfeitorias de infraestrutura feitas pelos moradores, que é o principal fator de valorização dos lotes. Também defendo que o custo da infraestrutura de vias e demais instalações destruídas pelas demolições seja considerado também como desconto. Há situações, como a chácara 200 de Vicente Pires, cujas vias internas e instalações diversas foram totalmente destruídas. Vale dizer que a Lei 13465/2017 ampararia a regularização da Chácara 200 se ela ainda estivesse erguida, pois foi edificada antes de 22 de dezembro de 2016. E agora, como reparar o prejuízo dos moradores?

E as obras de infraestrutura na cidade, o sr é contra?
Isto é uma inverdade. Lutamos muito para tê-las e uma de nossas ações decisivas foi lutar junto ao Tribunal de Contas do DF para que a licitação (Concorrência 019/2014) tivesse êxito em tempo hábil, para que os recursos, da ordem de R$ 508 milhões, não fossem perdidos. Com a ajuda do conselheiro Renato Rainha à época, pedimos que o Tribunal colocasse o processo em votação em regime de prioridade, pois pairava sobre ele suspeitas de irregularidades nas cotações de preços. Com a revisão, foi possível economizar R$ 9 milhões e o processo foi devolvido em seguida à Secretaria de Obras para publicação do Edital.

Mas o sr tem criticado muito as obras…
Preocupo-me muito com o nosso futuro, pois nossa cidade está crescendo muito, especialmente e forma vertical. As obras atuais de superfície não atenderão à nossa necessidade de termos um trânsito confortável, porque os projetos originais previam algumas vias que seriam duplicadas, mas elas estão se tornando simples. Não se construiu nenhuma ponte, viaduto ou estacionamentos, que também estavam previstos. Calçadas estão rentes ao asfalto e os carros estão subindo nelas para estacionar nos canteiros ao lado. Com isso, os portadores de necessidades especiais e pedestres terão seu espaço destruído e terão de usar a via para transitar. Em relação às obras de águas pluviais, acredito que estão sendo muito bem feitas e serão uma bênção para nós.

Sendo eleito, o que o sr pretende oferecer à Vicente Pires e ao Distrito Federal?
Meus projetos são ambiciosos, mas trabalharei muito para realizá-los. Farei a destinação de emendas parlamentares, que hoje são de cerca de R$ 20 milhões por ano, para benfeitorias diversas na cidade; darei voz no parlamento e nas políticas públicas do DF à Vicente Pires através de um gabinete itinerante; buscarei parcerias com o próximo governo para trazermos creches, escolas de Ensino Fundamental e Médio e ao menos uma escola em tempo integral (PROEIT). Hoje, nossas crianças necessitam estudar em outras cidades por falta de vagas em Vicente Pires; buscarei parceria com escolas particulares para atender alunos excedentes da rede pública na própria região; trarei pontos para atendimento de 24 equipes do “Saúde da Família”, um hospital ou UPA; implantação de monitoramento por câmeras feitas pelos policiais militares e pela comunidade (aplicativos e botões de pânico); disponibilizar mais linhas de micro-ônibus fazendo as interligações por todo o SHVP até a estação do Metrô de Taguatinga, Águas Claras e Guará, implantar o VLT (veículos leves sobre trilhos), no lugar do ultrapassado BRT e por todo o DF; abrir a caixa preta e fazer a CPI da Terracap; acabar com a Agefis, descentralizando a fiscalização para dentro das administrações regionais, e fazer a CPI da Agefis; acabar com os cargos indicados em todos os órgãos do GDF, valorizando o concurseiro; dar condições dos comerciantes/empresários trabalharem dentro do DF, dando condições de adquirirem seus imóveis subsidiados de acordo com o numero de empregos gerados.

Por que decidiu ser candidato a deputado distrital?
Por mim eu não seria, mas, a pedido, para não dizer por pressão, de moradores, lideranças e de ex-candidatos, aceitei o desafio e vou cumprir, para ser a diferença para todo o Distrito Federal e não uma decepção como os atuais.

O sr tem algo a acrescentar sobre suas propostas?
Faço apenas um apelo à nossa população do SHVP e do Assentamento 26 de Setembro, o que vale para todo o DF: peço que todos nos ajudem a divulgar nossas propostas para os moradores, vizinhos, amigos e famílias, pois é chegada a hora de Vicente Pires e do DF saírem do esquecimento. Tenho lutado muito na AMOVIPE por melhorias, mas é uma luta árdua e difícil, em que pouco conseguimos avançar, sem o mandato parlamentar. Dia 7 de outubro, peço que, se possível, não votemos em candidatos forasteiros, que aparecem só nas eleições e depois de eleitos não retornam para nos ajudar. Para os candidatos de Vicente Pires, escolham quem tem história de lutas e mais potencial para ser eleito, porque se dividirmos votos, mais uma vez não teremos ninguém por nós. Dêem uma chance à nossa cidade!

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