“Vicente Pires precisa de um gestor, e não de um fiscal de obras” Anchieta Coimbra

Presidente da Associação Comercial e ex-administrador regional da cidade critica estilo do atual administrador regional Charles Guerreiro e cobra projetos para atender as demandas da comunidade

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Ex-administrador regional e presidente da Associação Comercial de Vicente Pires, Anchieta Coimbra diz que esperou cinco meses depois que deixou o cargo para avaliar o seu substituto, mas garante que as críticas que faz ao estilo do seu sucessor não é por ciúmes ou por qualquer outra motivação que não seja a preocupação com os destinos da cidade. “Quero apenas colaborar com o governo e ser um interlocutor do segmento mais representativo de Vicente Pires, o que está mais sofrendo com a situação econômica do país e com as incertezas sobre a situação fundiária de seus terrenos”.
Nesta entrevista ao Jornal de Vicente Pires, Anchieta fala sobre as demandas dos empresários e dos moradores apresentadas ao governo.

Demanda dos empresários
“Precisamos aproveitar o momento em que se discute a regularização dos terrenos residenciais para também discutir as áreas empresariais de Vicente Pires. O segmento vive uma incerteza muito grande. São cerca de 3.200 empresas, que geram entre 20 a 25 mil empregos diretos e indiretos. É preciso encontrar uma solução também para essas áreas, talvez um programa semelhante ao Pro-DF, ou através de licitação ou venda direta aos empreendedores. Essa discussão não pode durar mais para acontecer, porque a cidade sempre foi voltada para o empreendedorismo. Quem veio pra cá investir em negócios acreditou no futuro e no crescimento da cidade e não pode continuar nessa incerteza”.

Taguaporte como polo de lazer e gastronomia
“Quando estava na Administração Regional, elaborei um projeto e vinha fazendo gestões dentro do governo para transformar a área lindeira do Taguaparque num centro de gastronomia, semelhante ao Pontão do Lago Sul. É uma faixa subutilizada, que poderia ser aproveitada para gerar negócios e empregos, onde abrigaria quiosques de lanches e artesanato, ou, restaurantes de maior porte. Além de gerar renda e empregos, esse polo traria mais segurança aos frequentadores do Taguaparque e dos moradores em volta, porque mudaria o perfil dos usuários, atraindo mais famílias.
Quando fui administrador, numa conversa com o delegado da cidade ele me disso que 60% das ocorrências criminais transferidas para Vicente Pires acontecem no Taguaparque, e a explicação é que aquele estacionamento após a meia noite é um problema, por ter se transformado num ponto de venda e consumo de drogas, bebida, sexo e brigas. A nossa sugestão é que o parque seja fechado após a meia noite. A partir desse horário é que os frequentadores de baladas vão pra lá.
O Taguaparque é o cartão postal de Vicente Pires, embora pertença oficialmente à Taguatinga. É na sua perimetral que está a principal vista da cidade. Deixei na Administração um projeto pronto para criar lá um portal para identificar Vicente Pires. Hoje, quem vem aqui não sabe onde começa e termina a cidade”.

Administrador fiscal de obras
“Tenho entrado em grupos das redes sociais de Vicente Pires para criticar a postura do administrador regional Charles Guerreiro. Quero deixar claro que nada tenho contra ele, não é uma crítica personificada, mas da gestão. Reconheço inclusive o interesse e a vontade dele de trabalhar, mas, na minha opinião e a do segmento empresarial é que ele está deixando de ser o gestor para se transformar num fiscal de obras. É só o que ele tem feito.
Quando assumi a Admninistração Regional, as cobranças começaram dois dias depois. Assumi num momento muito duro, de muita chuva, de alagamentos, de momento em que a comunidade estava tremendamente sofrida com todas essas convulsões. As obras estavam praticamente paradas, porque não dava para continuar com tanta água e lama. Foi complicado pra mim, mas entendia e aceitava as críticas e procurava buscar outras melhorias para a cidade.
Está faltando projeto. Falta a Administração fazer um planejamento de trabalho em função da cidade, que foi o que eu fiz e deixei lá. As obras que estão sendo executadas não foram planejadas pela Administração e já estão contratadas há algum tempo. O administrador regional precisa deixar de ser um fiscal de obra, até porque a Secretaria de Infraestrutura e Obras (Sinesp) tem engenheiro para acompanhar as obras e as empreiteiras também. Não há sequer um projeto para aproveitar o momento da cidade e a relação que ele tem com o governador para trazer benefícios para Vicente Pires. Enquanto ele tá fiscalizando obras, a cidade está parada.
Ele pode sim acompanhar as obras também, mas não pode somente fazer isso. Esperei cinco meses para dar essa minha opinião. É o tempo dele ter conhecido a máquina. A cidade e as lideranças não me deram esse tempo. Temos realmente que cobrar mais agilidade”.
“Quero deixar claro que estou criticando porque estou chateado por ter sido tirado da Administração. Encarei minha saída com naturalidade e sem qualquer rancor. É um direito do governador, que deve ter tido seus motivos para me substituir. Não estava lá por vaidade ou por um projeto político, mas para tentar ajudar a cidade no que achei que poderia.
Criticar é um direito meu, como liderança do segmento mais representativo de Vicente Pires, por conhecer a máquina pública. Como o atual administrador terá quando deixar também a Administração”.

Críticas recebidas
“A maior crítica que recebi é que eu não morava na cidade. Ora, eu só durmo fora daqui, porque minha empresa está aqui, ganho meu dinheiro aqui, é a cidade que me acolheu há 15 anos e que considero a minha cidade. Participo muito mais da vida de Vicente Pires do que a maioria dos moradores, boa parte deles apenas dorme aqui e nem se interessa pelo que acontece à sua volta, a não ser para reclamar e cobrar”.

Outras demandas
“Precisamos trazer logradouros públicos, poderíamos por exemplo ter um Batalhão da Polícia Militar independente. Não estou cobrando que o administrador regional consiga, mas que pelo menos vá atrás, proponha.
Precisamos de um posto de saúde maior, um posto avançado, porque o existente na Vila São José é pequeno e insuficiente para atender à comunidade. Fizemos um evento e atendemos 180 famílias lá, dois meses depois que eu estava na Administração. Essa era uma das minhas metas. Em 60 dias fiz um plano de trabalho. Sentei com a Secretaria de Obras e deixei tudo encaminhado para a construção de um novo posto.
Fiz seis reuniões com as empreiteiras que estavam trabalhando na cidade, trouxe o secretário de Obras, conversei com o segmento de distribuição de combustíveis no DF sobre a necessidade de implantação de postos de combustíveis, porque a cidade não tem um sequer. Nem mesmo aquele da EPTG pôde ser concluído por causa de exigências ambientais, que parece que foram sanadas, mas não foi aberto ainda”.

Apoio a Rollemberg
“Gosto muito do governador Rodrigo Rollemberg. Cada governador um teve o seu papel na história do DF, em momentos diferentes. E Rolemberg foi importante pela arrumação da casa, diante do caos que recebeu do governo anterior. Sabemos que ele cometeu falhas, mas fez um governo que não teve qualquer deslize ético, não se envolveu com mal feitos, teve coragem para combater invasão de pobre e rico, peitou sindicato contra aumentos numa época que o DF precisa de investimentos. Mas, na minha opinião, errou na relação com a Câmara Legislativa. E também por não saber dar publicidade ao que vem fazendo, como, por exemplo, as 25 mil escrituras que entregou, a regularização de condomínios – só Vicente Pires são cerca de 20 anos de espera e muitas promessas, mas foi resolver no governo dele.
Se ele tiver a oportunidade de ser reconduzido ao governo e depois da casa arrumada, ele certamente vai dispor de recursos para investir em mais obras e em outras melhorias do Distrito Federal. Claro, que por mais que ele faça, não vai agradar a todos, porque sempre haverá outros interesses políticos e econômicos contrariados”.

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