Custódia Wolney

A Romancista é autora de histórias com pano de fundo social e é apaixonada pelo estilo de vida em Vicente Pires

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Ela é a administradora por formação, trabalhou muitos anos na área, mas decidiu abrir mão de tudo para viver sua vocação para as letras, o mundo literário e nós (leitores) agradecemos muito a sensibilidade e dedicação da escritora Custódia Wolney, também conhecida como A Romancista.
O fascínio por escrever começou na adolescência, poesias e textos escritos despretensiosamente por uma jovem muitas vezes inspirada pelo amor, paixão e namoros da época, mas nada levado a sério. Graças ao interesse pela leitura, Custódia foi adentrando o universo da literatura e quando leu o livro O Quinze de Raquel de Queiroz, sua vida foi marcada. O livro narra a história de um romance vivido na grande seca de 1915, no qual Raquel viveu e se inspirou para escrever. “Eu senti e vivi tudo aquilo que a escritora narrava no livro, era como se eu também tivesse estado lá, e foi um jeito de também conhecer a realidade do Brasil naquela época. Aquilo me marcou aos 16 anos de idade”, diz Custódia.
Influenciada desde então por Raquel de Queiroz, Custódia Wolney determinou dentro de si que quando pudesse escrever um livro seria baseado nessa temática, sempre com um pano de fundo social conduzindo seus romances. E assim aconteceu. Anos depois a administradora se tornou escritora e passou a narrar não somente lindas histórias de amor, mas também destacando épocas históricas, a realidade brasileira tal como foi e culturas menos conhecidas para que seus leitores possam se enriquecer mais desses temas.

Obra
Para descrever com propriedade é necessário meses de pesquisa somente dos fatos históricos, para escrever e desenvolver a história completa leva aproximadamente dois anos para o livro ser concluído. “É muito gostoso brincar com os personagens, criar a parte lúdica, mas sou extremamente fiel aos acontecimentos verídicos do pano de fundo social, nada é distorcido ou manipulado, levo isso muito a sério”, pontua a escritora.
E como não poderia ser diferente, o primeiro livro de Custódia foi “O preço de um sonho”, que se passa durante a construção de Brasília, os bastidores e sobre os candangos. Para estudar a fundo a época, a escritora frequentou muito o arquivo público de Brasília, lendo livros, contemplando as fotos e se inspirando na historicidade. Quando terminou de escrever todo o livro, Custódia se sentiu um pouco recuada e insegura, sentimentos comuns diante de uma obra tão rica, e a primeira pessoa para quem teve coragem de mostrar foi sua mãe. Apesar dos elogios da matriarca, “mãe é mãe né? Sempre vai falar que é bom, ela gostou muito”, brinca a autora.
Depois do sinal positivo da mãe, ela mostrou o trabalho para a escritora Margarida Drumond, uma expert na Literatura, reconhecida por diversas obras e membro da Associação Nacional de Escritores. Margarida gostou tanto que incentivou Custódia a procurar o Fundo de Apoio à Cultura (FAC). Aos 29 anos de idade Custódia deu início oficialmente e profissionalmente à sua vida no universo literário. Hoje o livro “O preço de um sonho” está na sua terceira edição.
O segundo livro da escritora é “Kalunga”, que reflete o parecer da autora sobre a comunidade Quilombola. Para compor a obra, Custódia pesquisou muito sobre a comunidade e fez visita técnica para conhecer profundamente os costumes. Graças ao empego em propagar a cultura Quilombola, Custódia foi convidada a participar do grupo de pesquisadores Quilombola e participa regularmente de encontros.
A terceira obra é “Sombras da revolta”, o pano de fundo é o período imperialista do Brasil, tema que a escritora sempre desejou abordar. “Eu sempre quis falar sobre isso, mas quando fui pesquisar dei de cara com a balaiada, e não conseguia fontes seguras que contavam sobre ela. Eu não confio no conteúdo da Internet, para mim fonte confiável é livro. Somente na biblioteca Benedito Leite no Maranhão que eu encontrei obras que descreviam a balaiada exatamente como foi”, conta Custódia. Quando terminou de escrever seu romance, a autora estava tão apaixonada pelo contexto que foi até Tutóia no Maranhão, cidade marcante no período imperialista.
A quarta e última obra até o momento é “Sina traçada”, o romance se passa com o malês (negros africanos escravizados que não se curvaram à escravidão, eram insubmissos, muitas vezes mais instruídos que os seus senhores, pois sabiam ler e escrever em árabe, eram muçulmanos). Esse livro deu à autora em 2015 o Prêmio Oliveira Silveira, da Fundação Cultural Palmares e Ministério da Cultura. No total cinco autores, um de cada região do país, foram vencedores e Custódia foi a autora do Centro-Oeste.

Vida em Vicente Pires
Nascida na Bahia, Custódia veio para o Distrito Federal com apenas um ano de idade e se considera candanga de coração. Mãe de três filhos, Lucas, Alice e Marcos Wolney Gomes Figueira, está há 17 anos morando em Vicente Pires, cidade onde decidiu estabelecer seu lar e criar os filhos.
Custódia estava procurando um local para morar, quando foi apresentada a Vicente Pires e se admirou, “gente, existe um lugar como esse? Pertinho do Plano Piloto e de Taguatinga, de fácil acesso e de uma tranquilidade assim? Apaixonei-me logo de cara”.
Atualmente Custódia Wolney está trabalhando em um projeto, mas não revela detalhes, pois prefere a liberdade de criar seguindo seu instinto e se contar parte da história os leitores vão aguardar exatamente por aquilo e não poderá mudar de ideia ao longo da criação, o que é muito habitual ao longo dos meses de construção. Ainda nos planos para o futuro, a intenção é que seus livros sejam adaptados para a dramaturgia, e para isso Custódia tem estudado produção de roteiros e praticado esse estilo de escrever que é bem diferente de um livro.