Artesanato feito em Vicente Pires

Motivadas pela necessidade de uma ocupação, e um hobby prazeroso, artesãs da cidade buscam um espaço para expor seu trabalho

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Vangela Caetano preside a ARTVIP desde janeiro de 2010, apoiada pela Associação dos Moradores de Vicente Pires (ARVIPS), sua maior luta neste momento é consegur um local fixo para que expor o trabalho feito na cidade

A arte de confeccionar artesanato vem daquela das antigas técnicas das vovós, que aprendiam também com as mulheres mais velhas da família e com as revistas de artesanato. A arte é desenvolvida por mulheres e homens. Ficar esse tempo ocupando a mente é um respiro de alegria e vida, capaz de alegrar a rotina, além de melhorar o humor, aliviar o peso dos problemas que o cotidiano traz.

Organização
A Associação dos Artesãos de Vicente Pires (ARTVIP) foi criada em 05 de janeiro de 2010, por Vangela Martins Caetano, apoiada pela Associação dos Moradores de Vicente Pires (ARVIPS).
Desde o início, segundo a presidente Vangela Caetano, a ARTVIP, foi criada com a finalidade de ser um espaço de lazer e também para fomentar o comércio local, expor as peças das muitas artesãs e artistas moradoras da região. O objetivo da diretoria neste momento é conseguir um local fixo de exposição. Por enquanto, os encontros são realizados em feiras e eventos. Hoje a associação tem 114 associados e 70 artesãos já habilitados. “Começamos a associação e as artesãs foram chegando aos pouquinhos, muitas com depressão e câncer. Nesse período, os encontros fizeram muito bem a elas e hoje, muitas já estão curadas”, explica. De acordo com a presidente, “criar artesanato nessa área, é muito mais que um trabalho ou hobby, a terapia artesanal é uma maneira de aliviar o estresse e ajudar o artista a viver melhor”, finaliza.
Vangela lembra que a associação motiva as mulheres a agendarem encontros, para bater um bom papo, trocar e compartilhar experiências. “O artesanato é uma verdadeira terapia ocupacional. Assim começamos a fabricar peças para organizar eventos sociais e bazares e outros”.
“O único intuito de fundar a associação foi devido a muitas dessas mulheres estarem com problemas em casa e desenvolvendo depressão”. Vangela acrescenta que “esses encontros são verdadeiras terapias ocupacionais, que por sinal, tem ajudado muitas artesãs a se libertarem dessa doença”. A presidente finaliza: “O artesanato contribui com uma renda extra para várias famílias”.
A Associação foi premiada em vários eventos, recebendo o Certificado de Excelência, da 1ª Feira de Artesanato e Cultura de Vicente Pires, em 2011; o prêmio da Secretaria de Micro e Pequena Empresa e Economia Solidária do DGF; o Diploma de Honra ao Mérito, em 2012, da Câmara Legislativa do Distrito Federal; o Selo Rede Mulher, no Encontro de Economia Feminista e Solidário do Programa Rede Mulher Artesã, em 2013; e o Mérito em Produção, em 2014.
No dia 7 de maio, a associação entregou novas carteirinhas para as artesãs, na Administração Regional de Vicente Pires, com um café da manhã, que contou com a presença do administrador, Charles GUuerreiro e do gerente de Cultura, Esporte e Lazer, Natanael Saulo. O gerente disse que desde que tomou posse esse ano, “tem ajudado as artesãs, buscando informar e orientar para que elas participem de vários eventos que acontecem na região e no DF”.

A presidente
Vãngela Caetano aprendeu fazer as primeiras peças com sua mãe, enquanto a acompanhava nos cursos de costura. Vangela lembra que sua mãe sempre dizia: “não importa o curso que faço o que importa é o que aprendo”. E assim Vangela iniciou na área de artesanato e hoje expõe suas peças, na sua loja Arte e Prosa. A loja é aberta para as outras artesãs da cidade exporem suas criações.
Ela ainda diz que “confeccionar peças de artesanato é uma arte, que tem a questão da terapia ocupacional, que tem surtido efeito entre nossas artesãs que passam por vários problemas de saúde”. A presidente da associação lembra ainda que todas teêm muitas histórias para contar.
A presidente ainda complementa que “mulheres e homens se encontraram no artesanato, em vez de ficarem em suas casas sem ocupação, encontram motivos para criar artes: costuras, bordados, biscuit, crochês e tear, etc. que por sinal, são verdadeiras obras de arte”, diz sorrindo.

Artesãs de Vicente Pires
Com 20 anos de experiência, a professora de artesanato, Lidia Bernardes, ministra aula até hoje, tendo como matéria prima materiais recicláveis. “Iniciei minha experiência com adolescentes de 15 aos 17 anos, com problemas de comportamento. Trabalhei esses jovens, por 10 anos na Instituição particular Fenações, no Recanto das Emas, de 2000 a 2010”, afirma.
“Dava aula de artesanatos para cerca de 20 alunos e usava material reciclável que adquiria com doações”. Lídia diz que ia a antiga Praça do DI, pegar doações de tampas de caixas de pizza e bisnagas de tinteiro. Confeccionava caixas de bombons para presentes e peças de argila. Assim que a turma finalizava as peças, vendiam nas salas de aula e na antiga Festa das Nações. “Conseguimos ressocializar, na época, muitos meninos. Eles além de aprender uma profissão, com as vendas, contribuem com uma pequena renda para sua família”, definiu.
A assistente social por 24 anos, Helena Nascimento, está afastada do trabalho há oito anos. Ela também desenvolveu depressão, no entanto, encontrou no artesanato 70% da sua cura. Ela detalha como tudo começou: “Só percebi que estava com depressão, quando saí da minha casa para ir ao trabalho e “tive um apagão”. Aí fui internada, medicada e hoje descobri no artesanato uma terapia ocupacional, que tem me feito muito bem”. Ela confecciona peças em miniaturas no MDF há cinco anos e, hoje, se sente muito melhor, sempre procurando estar com as meninas, participando de exposição, onde divulga o seu trabalho.
Madalena Rocha Nobre é paranaense, moradora da região apenas há 4 anos.“Tive um infarto há nove anos, quase morri. Devido à cirurgia, tive que ficar em casa ‘de molho’ até me recuperar. Ela também disse que era muito estressada e depressiva. Busquei no artesanato uma maneira de ocupar a mente e ganhar uns trocados. Hoje movimento toda minha fabricação das peças nas feiras da ARTVIP e redes sociais. Nossa como o artesanato contribuiu na minha recuperação!”, finaliza sorridente.

SOURCEPor Julciara Abreu
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