Miqueias Paz – O artista de Vicente Pires

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Ele pode ser engraçado, dramático, cômico, surpreendente, comovente, gracioso, levar a plateia a gargalhar ou a chorar quando está atuando; e ainda falar muito sério quando o assunto é política. Estamos falando de Miquéias Paz, o ator, mímico e ex-deputado distrital que escolheu Vicente Pires para ser o seu refúgio da vida movimentada da grande metrópole. A razão de ter escolhido nossa cidade para ser o seu reduto na região da Colônia Agrícola 26 de setembro há 10 anos, é muito simples de explicar segundo o ator, “basta olhar pela janela e o motivo já está ali, a natureza”.
No seu recanto de paz, Miquéias vive com sua companheira de muitos anos Ivete Mangueira, ele é pai de Eduardo Jânio, Abder Paz, Matheus Mazen, Yasmine Paz, Anderson Ribeiro e Lia Silva, e já tem cinco netos que encantam o coração do avô apaixonado, “felizmente meus filhos estão todos crescidos, bem resolvidos e vivendo suas vidas, agora meus projetos para o futuro são todos voltados para os meus netos”, diz o pai orgulhoso. O ator é um composto de pelo menos quatro regiões do Brasil, tem grande influência da cultura nordestina, pois é filho de alagoano e de baiana que se conheceram no Rio de Janeiro, nasceu em União da Vitória no Paraná e vive há 51 anos no Distrito Federal.

Trajetória
Miquéias Paz é professor por formação, ator profissional e também desenvolve a atividade de diretor de espetáculos, em Brasília e em Goiânia. Tudo começou quando ele estudava ainda no ensino médio e tinha um interesse pela área da construção civil, pretendia estudar o curso de edificações, mas antes disso um grupo na escola ofereceu o curso de teatro para os alunos e o então, garoto, decidiu participar e se encantou pela arte logo de cara. Aos 16 anos entrou para o grupo escolar, decidiram depois criar uma companhia e se apresentar profissionalmente.
Ele deixou de lado o curso de edificações que pretendia fazer e decidiu-se pelo magistério. “Foi uma decisão muito acertada, a conexão do magistério com a arte de atuar na minha opinião, tem muito a ver, amo as duas profissões”, afirma Miquéias. Como ator já são 37 anos de trabalho, 16 países visitados e conheceu praticamente todos os estados brasileiros levando sua arte. “A vida de ator é um eterno aprendizado, uma troca de experiências seja dando aula para outros atores, apresentando, participando de festivais ou dirigindo espetáculos”, pontua Miquéias Paz.

Homenagem
No meio artístico, especialmente na mímica, Miquéias é um referencial. sendo considerado um mestre na categoria, tanto é que no dia 17 de junho deste ano acontecerá o seminário Corpo e Movimento em Cuba onde mímico será a personalidade homenageada do evento. “Estou muito feliz com isso, já estive em Cuba outras vezes, mas essa vez vai ser ainda mais especial, mesmo sendo homenageado também me apresentarei no seminário”, conta. Aqui no DF apenas ele e seu filho Abder Paz dedicam-se exclusivamente à arte da mímica como profissão. Alguns buscaram outras áreas para se especializar e outros desistiram.
A arte de transmitir uma mensagem sem utilizar-se de palavras, apenas expressões corporais, ganhou muita repercussão mundial com o mímico Marcel Marceau que pintava sempre seu rosto de cor branca e camiseta listrada. Por um lado foi bom pela popularização que a mímica alcançou, mas também limitou os artistas que se viam obrigados a se caracterizar da mesma forma. “No meu modo de ver, essa caraterização depreciou a mímica de forma geral, porque o estilo do Marceau é apenas uma das possiblidades de se apresentar. A mímica é um dos eixos de trabalho, a partir dela o ator encontra a sua posição, a sua maneira de olhar e a relação com seu próprio corpo”, destaca o ator.
Miquéias considera que a arte vive um momento adverso, onde pessoas oportunistas que se dizem artistas se apoiam nessa personalidade artística que supostamente tem e aproveitam a visibilidade para falar “merda”, como define. “São coisas que não se enquadram, a arte sempre foi na história da humanidade precursora de avanços, os artistas têm uma visão à frente dos demais, preconceito e arte são coisas que não combinam”, destaca, e completa “eu considero que isso é um problema diante de uma expressão que é tão leve e sensível”.

Vida parlamentar
Entre 1994 e 1997 Miquéias viveu uma experiência surpreendente e certamente inesquecível, de deputado distrital. Ele que sempre esteve envolvido com causas sociais, sindicatos, associações, grupos de assentamentos, mas nunca visando um cargo político. Sua carreira como ator tinha uma grande notoriedade e prestígio, até que durante uma entrevista para o jornalista Luís Turiba foi questionado se algum dia ele teria coragem de se candidatar ou algo do gênero. Miquéias respondeu que nunca havia pensado na possibilidade, mas que não a rejeitava. Dois dias depois a matéria teve uma grande repercussão no DF e o que era apenas uma especulação tornou-se uma candidatura, uma vitória e quatro anos na Câmara Legislativa.
Miquéias diz que os anos como deputado foram um aprendizado, mas considera que esgotou sua capacidade pessoal de conviver no ambiente político, e que sua “energia ou espírito” não compõe o cenário na Câmara, e deixa claro que não tem a ver com corrupção, mas com “modus operantis”. Durante o seu mandato, Miquéias Paz conseguiu a aprovação de uma lei de sua autoria que determina que cinemas, teatros, ônibus e metrôs no Distrito Federal tenham assentos exclusivos para pessoas com sobrepeso. O destaque foi tanto que na época ele foi convidado para participar do Programa do Jô Soares.

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